Se por um lado vejo as criticas a multiplicarem-se sobre o facto de irmos receber alguns, penso por outro lado na quantidade de acções de solidariedade que se escreveram/fizeram sobre os gregos, neste caso até linhas de apoio monetário foram criadas e fico a pensar, o meu vizinho é destruído por uma guerra e tenta fugir e não o devo apoiar nem recolher mas ao outro que destruiu a sua economia por falta de cuidado e ao qual já tinha ajudado com um empréstimo, deveria, ter não só perdoado como, ainda mandar-lhe mais e ainda, forçar outros a fazerem o mesmo. Tenho muita dificuldade em tomar uma atitude radical no primeiro caso já no segundo nem por isso.
Não devemos receber os refugiados Sírios e eu pergunto-me porquê?
Vejo nas opiniões de outros que não os devemos receber porque temos sem abrigos em Portugal, mas sempre os tivemos e nunca foram dados como exemplo e são agora porquê? Vamos cometer uma injustiça para nos perdoarmos por cometermos outra diariamente e que nada garante que se não recebermos uns vamos resolver o problema dos outros, não acredito! Estamos apenas a querer lavar a mão mas deixamos a outra continuar suja, pergunto-me de quantos escrevem nas redes sociais sobre caridade para com os Portugueses se a praticam na realidade todos os dias, eu não.
Não será com um erro que resolvemos outro. Falam sobre casas tiradas a Portugueses e agora vão ser dadas a refugiados, bem mas alguém sabe por quanto tempo lhes vão ser dadas quais são as contrapartidas, e então estão a dizer-me que posso comprometer-me em pagar uma casa que apesar de não saber se o vou conseguir manter, depois ela me será dada no dia em que não o possa cumprir? Em quê, é que estas pessoas se comprometeram em pagar que não o fizeram?
Atravessámos uma guerra?
Destruíram-nos as casas ou tudo não passou de mais olhos que barriga, já agora só se fala das casas, logo devo concluir que o pessoal prefere perder a casa do que o carro?
Estamos a decidir ou a tomar partido de uma forma demasiado ligeira para um problema que estas pessoas enfrentam, mete-nos medo que tal como os Romenos e Ucranianos eles venham ocupar os lugares que nós não queremos?
Temos medo que venham a ser uma comunidade válida cumpridora e trabalhadora na nossa sociedade?
Continuo no entanto a ter algumas reservas sobre muitos dos que integram estes refugiados.
Quem recusa comida ou água por estar muito chateado por estar a querer fugir e não receber o apoio que quer?
Se estão mal na Europa o que os levou a vir para cá?
Se uma viagem de barco custa, segundo ouvi, cerca de 800€ como é que num País que enfrenta uma guerra tão destruidora como nos mostram ainda existe tanta gente que tem tanto dinheiro para enfrentar uma viagem tão cara e com tão poucas hipóteses de sucesso?
Como alguém que quer fugir de uma Guerra espera ser recebido com todas as mordomias num lugar que de repente se vê com imensa gente a precisar de abrigo, comida e alguma ajuda, é assim como de repente toda a minha família decidisse emigrar para minha casa, por muito boa vontade...
Se se invadiram países por questões politicas e ou económicas porque não se resolve este problema humanitário e se prefere virar a cara, apenas, para aqueles que conseguem ou têm hipóteses de sobreviver?
Alguém pensa naqueles que lá ficam porque não têm meios ou condições para saírem?
Enfim continuo a ter a mesma dificuldade agora que tinha no inicio deste texto, no entanto sei que devemos tentar ajudar estas pessoas.
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